9 de jul de 2013

Maternidade Resgatada

Quando eu decidi por fazer esse blog, eu e o papai estávamos ansiosos para sua chegada, pelo positivo. Então passamos a registrar tudo para que quando um dia pudesse ler tudo, a expectativa da sua chegada, barriga crescendo, preparativos, nascimento, desenvolvimento.
Nossa trajetória não foi tão comum como a maioria das famílias, e demorou, mas a mamãe sentiu a necessidade de não pular essa etapa e te contar sobre algo distinto que aconteceu entre eu e você. Preparada para um papo de mãe e filha?
Não é uma das histórias mais lindas que eu gostaria de contar, mas é algo que enquanto eu não descrever aqui ficará uma lacuna, afinal, é a nossa história.
Por um momento pode não ser linda, mas com final de vitória e muito sentimento verdadeiro!!
Então vamos lá?

Carta para você filha, minha Emily!!!

Antes mesmo de saber que você se achegar no meu ventre, antes mesmo de saber que seria "Emily" e não "Lohan", já imaginava e sonhava com tantas coisas, tantos momentos, tantos detalhes pra gente.
Eu e o papai planejávamos sua chegada depois de 5 anos casados, mas por um instante acho que você nos enviou um sinal do céu para que antecipássemos sua chegada. Não sabíamos mas você salvaria a vida da mamãe.
Dezembro/2009 decidimos e Abril/2010 você chegou.

Ah que momento mágico, começara ali nossa ligação única e maravilhosa de mãe e filha. Cada 4º feira era esperada com enorme ansiedade, dia em que avançávamos mais uma semana e você crescia dentro de mim. 
Dia a dia, semana a semana, como uma só pessoa, eu e você tínhamos nossa forma de nos comunicar, nossos laços se fortificavam a cada dia.
Cada detalhe foi pensado com perfeição digno da chegada da nossa princesa de chocolate.

Só eu, você e Deus sabe o quanto sonhamos juntos o dia em que você ganharia esse mundão. A mamãe sentia medo do inesperado, mas ao mesmo tempo uma curiosidade de como seria ouvir seu choro, conhecer a dona daqueles movimentos únicos dentro da minha barriga, sentir sua pele, olho no olho e então vinha a ansiedade de conhecer essa sensação, mas junto o receio de ter que dividir você com todos, com o mundo. 

De certa forma egoísta, nós mulheres quando grávidas somos egoístas, temos e sentimos a sensação que vocês são só nossos. 
Eu sabia que teria de dividir você com todos, mas procurava não pensar nessa situação, aliás, pra que sofrer antecipadamente, não é mesmo??

E no dia que fui conhecer a maternidade que você viria nascer? Nossa, quanta emoção e ansiedade. 

Mas você sabe o que mais impressionou e deixou a mamãe ainda mais ansiosa para sua chegada? Uma cena que vi e fiquei doida para vivenciar: uma mãe com seu bebê no colo, andando bem devagarinho em direção ao elevador até um tanto curvada (de certo pelas dores e cuidados do pós parto), mas com um sorriso tão gostoso no rosto, indo para casa. 



Foram tantos sonhos, tantos planejamentos, que infelizmente a vida e Deus permitiu que pegássemos um atalho e tudo mudasse, tudo diferente do que a mamãe imaginou para nós duas.

- A sua chegada foi antecipada em 6 dias (do dia 19/12 para 13/12), em meio de muitos medos, dores e anseios..

- Papai não pôde estar presente no parto para segurar na mão da mamãe e presenciar o momento tão sonhado, a sua chegada...

- Mamãe não pôde te amamentar como ela imaginou, mas pudemos ter essa oportunidade algumas vezes nos seus três primeiros dias de vida

- No seu quarto dia de vida, sofremos nossa 1º separação. Mamãe precisou passar por uma das 5 cirurgias. Quanto medo de não te ver mais a mamãe sentiu, foram 10 litros de soro para me lavarem internamente, oscilei na mesa de cirurgia, fui desenganada dos médicos e a partir dali dependeria da ação dos antibióticos. Mas lutei com toda força que existia em mim para sobreviver a toda e pior cirurgia. E de lá da U.T.I a mamãe te namorava por foto todos os dias, que o papai fazia questão de tirar. Foram os 5 dias mais longos da minha vida.

Quando sai da UTI, começava outra luta, de não te darem alta, para que pudéssemos ir embora juntas, como a mamãe viu quando foi conhecer a maternidade, lembra?

O papai lutou e muito, todos os dias ele ia até o Dpto. de Assistência Social para conversar e negociar uma forma de manter você mais um pouquinho perto de mim, de nós. 
Enfim, passamos o Natal em família, juntos, foi maravilhoso. Mas foi também o último dia que passamos juntas, no dia seguinte passamos pela 2º e pior separação. Mamãe não tinha nem sinal de melhora e já se tornará perigoso para você ficar ali.
Se interrompia o sonho de sair com você no colo, bem devagarinho e ir em direção da rua, com sorriso no rosto, para começarmos uma nova jornada, você estava indo embora.
Seus avós, com todo carinho e delicadeza arrumaram suas coisas: bebê conforto, malas, etc. E para amenizar não colocaram a "saída de maternidade" em você, com esperança de que a mamãe fosse embora logo e poderia colocar a roupinha planejada em você para irmos embora juntas. 

Choro só de lembrar você indo e a mamãe ficando. Era para o seu bem, com certeza. Mas tão diferente do que sonhamos juntas né?

Papai ficou com a mamãe e você ficou aos cuidados da Vovó Marly, grande vó, literalmente mãe duas vezes.

Você passou a visitar a mamãe de vez em quando, e eu me arrumava toda pra te receber. Mas a mamãe precisa confessar uma coisa, cada visita sua eu sentia você mais longe de mim.
Eu não escolhia suas roupinhas para sair, via a vovó me ensinando como você gostava de ficar deitada, só recebia os relatos, me sentia tão distante e distante. Então você ia embora e ficava a dúvida se eu te veria dali uma semana,  se mais ou se menos. 
Algo era bom, todos os dias a mamãe falava com você pelo telefone e te falava "Daqui a pouco estaremos juntinhas está bem? Mamãe te ama".

Infelizmente não passamos juntas as aventuras de varar as madrugadas juntas, o 1º banho, esquentar sua barriguinha pra passar a cólica, todo o trabalho que um recém-nascido dá, todas as coisas que as mamães "normais" reclamam e se cansam sabe? Receber visitas, te apresentar a todos...

Quando a mamãe enfim teve alta você já estava com 2 meses, e junto com a alta veio o medo de você não me amar como me amaria se eu estivesse ficado o tempo todo com você, afinal, não era meu cheiro que você sentiu aqueles 63 dias foi da minha mãe, da sua vovó.

Só tenho a agradecer o papai que não desamparou a mamãe em nenhum momento, a Vovó Silvia e Carlinhos pela companhia, pela força, pela mãe e pai que foram. A Vovó Marly que cuidou de você como filha dela, no fundo mas nem tão fundo a mamãe sentiu muito ciúmes dela, pela oportunidade que ela viveu com você os primeiros 2 meses de vida.

Quando tive alta, começou uma batalha que só terminou agora há pouco, há 3 meses atrás: Resgatar a Maternidade. Quando resgatamos a relação de mãe e filha.

Quando saí do hospital, diversos cuidados foram necessários, não era nem de perto uma pessoa comum, precisei de muito amparo. A família, amigos foram maravilhosos.

E junto disso tudo, precisei provar que eu era capaz de assumir a maternidade. Porém, o zelo de todos era tão grande, que eu não tinha esse voto de confiança. Minha opinião não valia muito, eles acreditavam que eu não tinha ideia da gravidade e decidiam o que era melhor para nós.

Você entende agora por que falo que foi a segunda e pior separação? Assim como a mamãe que sofreu o mega trauma, todos da família envolvidos também. Eles protegendo, cuidando o máximo que podiam, e nós duas cada dia mais afastadas uma da outra. Confesso que em alguns momentos cansei, desisti e deixei eles ganharem mais espaço.

Vi você preferindo a vovó, o papai, tia Kekel do que a mim e isso acabava comigo, chorava mas não conseguia resolver, encontrar uma solução.
Até que com o passar do tempo um e outro começaram a se ausentar e me vi na situação de ter que resolver, de ganhar espaço. 

Lembro exatamente o dia que marcou a nova etapa, foi um dia que a mamãe precisava muito ir na igreja, mas antes teria de te buscar na escola, te dar jantar, trocar sua roupa e a minha e ir sem carro em um tempo de 30 minutos. Pra quem não tinha espaço de fazer nada, era praticamente missão impossível, a mamãe ficou extremamente perdida. Comumente teria ajuda da Vovó Marly ou do papai (que me ajudaria ou ficaria com você e eu iria), mas pela 1º vez senti uma coragem e enfrentei qualquer dificuldade e resolvi sozinha. 

Desde então, tudo mudou. Hoje a mamãe não passa mal com facilidade, até compra na 25 de março fizemos juntas e com você no colo (uii, rs), te busco, te levo na escola, te dou banho, passeamos sozinhas sem ninguém achar que não vai dar certo, fazemos as unhas, conversamos, cozinhamos juntas, literalmente "Resgatei a Maternidade".

Ser chamada por você todas as vezes que vai ao banheiro "mamãee acabeeei" pra te limpar, ser a escolhida pra te levar para dormir e ainda ganhar o bônus de escutar você dizer "mamãe eu te amo do tamanho do mundo", escutar de vez em quando no meio da noite "oooh mãeee", parecem coisas simples, mas para nós duas que ficamos separadas um bom tempo, significa simplesmente TUDO!!!

Hoje sim, sinto um amor inexplicável, o mesmo sentimento que sentia quando estava dentro do meu ventre. Hoje sim, entendo a grandiosidade desse sentimento quando leio outras mamãezinhas falando, escrevendo. 

É simplesmente inexplicável, é grandioso e único. Te amo, te amo, te amoooooooooo e sabe o quanto? Do tamanho do mundo!!! 



Ai meninas, nem me acabei de chorar pra escrever esse post né?rs.
Mas enfim, o ponto final dessa história para que possamos ir adiante. Mais uma vez obrigada a todos que me deram toda força do mundo nesse momento complicado e todos que me apoiaram a escrever o post.

E para finalizar uma música que marcou essa fase.


Bjo grande no coração de cada uma.

4 comentários:

  1. Menina que historia é essa?! Recebi um email vendo seu trabalho e derrepente me deparo chorando aqui no serviço?

    é voce não passou tudo isso por acaso não, Deus tinha e tem um plano em sua vida e de sua familia, ele te resgatou por que sabia que ali em um certo momento ele iria precisar de voce, iria precisar de voce pra cuidar da sua princesa, da sua familia e o melhor fazer pessoas felizes com o seu trabalho lindo.

    Eu nao te conheço mais Deus conhece.

    Deus te abençoe muito
    Camila

    camilakpaiva@yahoo.com.br

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  2. Linda, parabéns vc e uma guerreira!
    História emocionante e com final feliz.
    Deus abençoe sua família sempre. Bjs

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  3. Linda, parabéns você e uma guerreira! História emocionante e com final feliz.
    Deus abençoe vc e sua família sempre! Bjs

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  4. Linda, parabéns vc e uma guerreira!
    História emocionante e com final feliz.
    Deus abençoe sua família sempre. Bjs

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4 anos de blog? Uau!! Já fui tentante, já estive gravidinha e hoje mamãe da Emily que já está com seus 3 anos. Já fomos Mamãe de Primeira Viagem 2010, já fomos Dona Mocinha. E hoje somos o que VOCÊ preferir.
Seja bem vindo ao nosso mundo de muitos aprendizados e fique a vontade para comentar.
Te aguardamos!!

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